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30 de dez. de 2025

Assim noticiou o "Diário do Rio de Janeiro de 26 janeiro 1874" a Inauguração da Hydraulica Pelotense

https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=094170_02&id=546306554987&pagfis=31555

Na integra com a escrita da época


Inauguração da Hydraulica Pelotense

A cidade de Pelotas e sua população estremecem de jubilo e alegria, dão parabens á sua felicidade,e, reconhecidas, agradecem o beneficio immenso e inestimavel que de ora avante gosarão: A Hydraulica Pelotense.
Esse melhoramento, ha tanto desejado a bem do povo, essa necessidade palpitante e utilissima, ha tanto reclamada em prole da hygiene e salubridade publica é hoje um facto, uma realidade, embora os utopistas descressem e lhe vaticinassem máo fim.
A sciencia e arte, o trabalho e o homem uniram-se, esforçaram-se e venceram; assim devia, acontecer, porquanto a intelligencia não conhece barreira que lhe possa embargar o passo.
A força de vontade, a persistencia tenaz, o trabalho constante e assiduo junto aos esforços mais arduos, tudo foi empregado por dous homens, os Srs. Hygino Corrêa Durão, empreiteiro, e João Frick, socio, para vencerem as difficuldades e obices que se antoalhavam ante o proseguimento de tão grandiosa utilidade.
A gratidão, esse sentimento nato no coração do homem, não conhece expressões; o pensamento não lhe empresta phrases, que a possam testemunhar devida e solemnemente, tal a grandeza e magnitude de seu reconhecimento.
A inauguração da Hydraulica Pelotense realisou-se ante-hontem, conforme noticiámos.
Bem cedo, já se via o bulicio dos carros que conduziam as pessoas para a caixa d'agua, onde devia começar a inauguração. Para cima de trezentas e tantas pessoas, entre cavalheiros e senhoras, alli se viu.
A alegria transluzia em todos os rostos, o prazer entumecia os corações e a admiração manifestava-se sorprendida diante de tão grande obra, diante da sciencia e da arte, que, fazendo parar em seu correr o arroio MOREIRA, fazia-o vir até ás ruas de nossa florescente cidade, para nos abastecer de excellente agua, principal elemento da vida e da saude.
Apresentar um juizo sobre a obra é desnecessario, porque seria repetir aquillo que por differentes vezes hemos dito; limitamo-nos a accrescentar que ella é grandiosa e soberba, quer pela solidez, quer pela belleza.
A's 9 horas da manhã deu-se principio à inauguração pelo levantamento da porta de ferro que impede ás aguas do arroio a continuação de seu curso, isto no troar de centenares de foguetes.
As aguas, achando livre o seu passo, corriam com ligeireza espantosa, como se dissessem: Temos de novo a nossa liberdade; porém, para logo foi descida a porta de ferro, e então conheceram que continuavam a ser prisioneiras e sujeitas á vontade do homem e ao poder da sciencia.
Em seguida abriram-se as valvulas que poem em communicação o arroio com os tanques, que, para logo, entrando a agua em grandes jorros, encheram-se. O Sr. presidente da camara, que, com seus collegas, alli compareceu como representante do povo, aberta a ultima valvula, a que dirige a agua para a cidade, levantou os seguintes vivas: A' S. M. o Imperador, ao progresso pelotense, ao incansavel empreiteiro o Sr. Hygino Corrêa Durão, que foram calorosamente correspondidos pelas pessoas presentes.
Após esses vivas, o Sr. Custodio Echague levantou um á directoria da companhia Hydraulica, que, como os outros, foi applaudido.
Estavam ahi terminados os trabalhos, em vista do que voltou-se, tendo que parar no Benjamim, onde o Sr. Durão offereceu aos seus convidados um profuso e esplendido copo d'agua.
Abriu a serie de brindes o Sr. Dr. Alexandre Mendonça, que, pedindo desculpa ao bello sexo se preteria-o no brinde que lhes devia, attenta á consideração e respeito a que tem jus, era porque, enthusiasia pelo melhoramento cuja inauguração se effectuava, julgava dever reverter essa honra ao homem que tanto se afadigara e esforçara, ao Sr. Hygino Corrêa Durão, e assim, abundando em justas considerações, saudou esse honrado e incansavel empreiteiro.
O proprietario e redactor desta folha brindou ao Sr. João Frick, como socio e companheiro de trabalhos, fadigas e lutas do Sr. Durão.
O Dr. Joaquim J. de Mendonça, em um eloquente e bonito discurso, no qual patentêou as immensas vantagens que vinha-se a auferir com tão importante melhoramento, saudou so mesmo Sr. Durão, como honesto, prestimoso e digno empreiteiro.
O Sr. Durão agradecen o brinde, querendo fazer reverter tudo quanto á voz do illustrado Dr. Mendonça patenteara ao Sr. conselheiro Pinto Lima, que fizera com elle o contrato, e levantou então, um brinde ao digno ex-administrador da provincia.
Seguiram-se outros muitos brindes que nos levariam longe, se quizessemos enumeral-os; assim, destacaremos ainda, como mais salientes, os seguintes:
Do Dr. Francisco Azevedo Souza ao capital, representado nas pessoas dos Srs. barão da Graça, barão de Butuhy e tenente-coronel Domingos S. de Paiva, a quem muito se devia pelo concurso valioso que haviam prestado com suas fortunas.
Do Sr. barão da Graça, agradecendo em seu nome e no de seus companheiros a pedindo um brinde 'a todos os accionistas mesmo aquelles de uma só acção.
Do Dr. Joaquim Mendonça ao bello sexo, ornamento de nossa sociedade, prototypo de virtudes, graças e bellezas, como esposa, mãe e filha.
Do Sr. Machado Filho ao Sr. Durão, que se mostrava lutador incansavel nos certamens do trabalho.
Trocaram-se ainda muitos brindes, sendo saudados os Srs. João Rezende, Custodio Echague, Primorose, Smith, Hallway, as familias presentes, etc..
Terminado o almoço, regressou-se à cidade, seguindo toda a comitiva até o porto da cidade onde o Revm. Dr. Canabarro benzeu a agua, depois do que abriu-se a valvula, e o chafariz, collocado na praça S. Domingos, começou a jorrar agua.
Subiu ao ar uma girandola de foguetes e o povo alli reunido, alegre e satisfeito, demonstrou seu enthusiasmo pelo progresso desta terra.
O chafariz estava todo enfeitado de flamulas e verdes festões, devido aos esforços dos Srs. Heleodoro Filho, Manoel Braga, visconde de Piratino e José Barreira.
O mesmo que se fez no chafariz à praça S. Domingos, praticou-se nos que estão collocados nas praças da Igreja e Pedro II. Neste ultimo, terminada a cerimonia religiosa e aberta a valvula, o Sr. major Azevedo Machado Filho, muito digno secretario da companhia Hydraulica, leu a seguinte manifestação:
«Illm. Sr. — Os abaixo assignados, que neste momento teem a felicidade de ser os interpretes dos sentimentos da população desta cidade, veem, possuidos de vivo jubilo, dar publico testemunho do reconhecimento que tributam a V. S. como a um dos mais esforçados lidadores da Hydraulica Pelotense, melhoramento benefico, progresso util, obra de arte, que, orgulhosos e contentes, escrevemos hoje em uma das mais bellas paginas do livro dos nossos adiantamentos.
« Se este bronze, que a arte modelou para nós, se o ferro que a industria occultou no seio desta terra, se a cantaria, cortada e polida pela vontade e pelo trabalho, se a agua que a sciencia, esse moderno Moysés, fez jorrar por nós, não bastarem para eternisar as fadigas, intelligencia e honradez de V. S., a sympathia que cerca o vosso nome, a admiração e gratidão que vos consagramos, jamais serão apagadas pela esponja do esquecimento.
« Incapazes de querermos contar os relevantes serviços de V. S. na pequenez do nosso mimo, depositamol-o em vossas mãos apenas como symbolo da nossa profunda satisfação, certos de que a opulencia dos sentimentos d'alma disfarçará a pobreza do offerecimento.
« Aceite, pois, V. S. o coração agradecido da cidade de Pelotas » (Seguem-se as assignaturas.)
Finda a leitura foi entregue ao Sr. Durão uma rica baixela de prata, que era o mimo feito em nome da população pelotense.
O Sr. Hygino Corrêa Durão, com a voz tremula pela gratidão, disse algumas palavras repassadas de sentimento e prazer, e, como prova de reconhecimento á população de Pelotas, entregou carta de liberdade a tres escravos seus, sendo Serafim, de 30 annos, Domingos, de 28, e Fortunato, de 20.
Assim terminou a inauguração Hydraulica Pelotense.
Tres victimas das algemas do captiveiro viram quebrar-se esses grilhões e raiar o sol de sua liberdade, graças no bem formado coração do Sr. Durão.*
Esse acto grandioso tem o verdadeiro elogio em si proprio; todo o encomio seria pouco.
O Sr. Hygino Corrêa Durão terá seu nome sempre gravado no coração dos pelotenses, e elle perdurará tão eternamente, como o beneficio importante que começamos a gosar, devido ao seu zelo, incansabilidade, esforços e incessantes trabalhos.
Aceite, pois, o Sr. Durão os votos de uma população que o bemdiz e venera, assim como as homenagens do mais humilde, mas esforçado e justiceiro orgão da imprensa.


Abolicionista, o empresário Durão comemorou a inauguração em 1874 da Hidráulica Pelotense, libertando três escravos na presença das autoridades representativas do conservadorismo e do regressismo, em uma monarquia que não achava caminho para realizar a dignidade do homem. 


Fonte sobre a abolição: https://confrariadospoetasdejaguarao.blogspot.com/2014/08/hygino-correa-durao-empresario-do.html

Fonte da noticia no Diario do Rio de Janeiro: https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=094170_02&pagfis=31555


6 de jul. de 2019

Uma tradição chamada Caringi (Diário Popular/2006)

Fonte texto: Diário Popular/2006


O requinte e a elegância da moda no final de século 19 passavam pela Casa Caringi Chapelaria. Fundada em 1896 pelo italiano Nicola Caringi, o empreendimento virou referência na antiga Pelotas - importante pólo econômico e cultural do país àquela época. Logo ganhou visibilidade em todo o Rio Grande do Sul.

Em seus primeiros anos, a pequena butique especializou-se em produtos masculinos. Encontravam-se lá vestimentas e acessórios como bengalas, polainas e luvas que trajavam os homens da época. “Não havia a variedade de roupas que temos hoje”, observa o bisneto Nicola Caringi Lima, professor do Instituto de Artes e Design da Universidade Federal de Pelotas (IAD/UFPel).
O comércio oferecia produtos de alto padrão, que seguiam tendências européias, com marcas famosas como chapéus Christy’s e Borsalino, entre outros. A boa localização, na rua 15 de Novembro, em espaço onde hoje está localizado o Banco Real, também contribuiu para que a loja ganhasse seu charme.
Entre as recordações, lembranças carinhosas do patriarca e a contribuição dos Caringi ao desenvolvimento do município. Em meio às histórias, o apreço do bisavô pela música, transmitido às demais gerações, e a vaidade, uma de suas marcas registradas. “Era um homem fino e elegante, muito bonito. À noite, sempre frisava os bigodes.”
Caringi soube integrar-se à sociedade da época. Com grande apreço pela moda, destacou-se numa Pelotas rica - econômica e cultural. Teve visão. Focou seu comércio nas necessidades e exigências da elite. Progrediu e integrou sua família à história da cidade.

Tempos de expansão
A imponência do nome veio nas primeiras décadas do século seguinte. Com a morte de Nicola, em 1921, Caringi Filho assumiu os negócios da família. Tão ou mais ousado que o pai, transformou a pequena, mas já tradicional chapelaria, no grande Magazine Casa Caringi, uma das pioneiras lojas de departamento da região.
A ampliação, em 1946, forçou a transferência para a rua Andrade Neves, entre Marechal Floriano e Sete de Setembro. Os produtos diversificaram-se. Além dos tradicionais artigos masculinos e importados, linhas feminina e infantil; cama, mesa e banho; perfumaria e brinquedos.
“Uma grande parte do comércio era de Pelotas”, recorda Terezinha Caringi Lima, neta de Nicola Caringi. “Era um incentivador da produção local.” Na moda da época, o calor tropical impunha o charme dos chapéus Picareta, feitos em palha, para uso no verão. “A indumentária masculina era muito mais chique.”
O comércio atraia clientes das principais cidades do RS, inclusive da capital, que se deslocavam ao município para adquirir a linha, em boa parte exclusiva no estado. Logo, a Caringi ganhou filiais em municípios como Rio Grande e Porto Alegre. A sucursal de Bagé teve o comando de Antônio Caringi, irmão de Nicola, e pai do famoso escultor.
Com o tempo, no entanto, o empreendimento voltou-se à matriz. “Acredito que houve certa dificuldade em manter as filiais. Ele preferiu ampliar os negócios em Pelotas”, conta Nicola Lima. O empreendimento perdurou até a metade da década de 1960. Antes, transferiu-se para a rua Marechal Floriano, próximo à Andrade Neves, onde até pouco tempo o ladrilho da calçada mantinha o nome da família. “Terminou como começou, com a chapelaria e artigos masculinos.”
A aposentadoria de Caringi Filho, em 1963, e a transferência de Roberto Caringi, seu filho, para Porto Alegre, em 1967, associadas ao declínio econômico, levaram ao desaparecimento da marca. Mas não por muito tempo.

Continuidade na capital
Mais de um século depois, a tradição dos Caringi permanece integrada à história de Pelotas e do Rio Grande do Sul. Em Porto Alegre, a empresária Maria do Carmo Caringi, a Neneca, tomou para si a responsabilidade de resgatar o brilho e requinte do sobrenome. Há nove meses ela fundou a Maison Carinci, especializada em moda de alto padrão e marcas do mercado de luxo.
A empresária fez questão de manter e melhorar algumas táticas de sedução do cliente que foram repassadas de geração para geração, como o atendimento personalizado e a criação de um ambiente charmoso e sofisticado.
Apesar de a Maison Carinci não ter ainda um ano, Maria do Carmo trabalha com comércio há duas décadas - ela começou vendendo roupas em casa. “A maioria de minhas clientes está comigo desde essa época, somos amigas e hoje atendo suas filhas e netas”, orgulha-se.
Como o bisavô, a empresária também destacou um segmento do comércio para investir. Atualmente ela só trabalha com roupas e acessórios, inclusive chapéus e roupas íntimas, para mulheres. Na maison há ainda um espaço para as meninas, no setor Kids, e para a casa.
Jovem e empreendedora, Neneca faz planos. E não esconde o sonho romântico de no futuro abrir uma seção masculina em homenagem ao bisavô.
Outro desejo é de ver o nome da família perpetuado no comércio com a ajuda das novas gerações. A filha, Luíza, quatro anos, dá sinais de que gosta do assunto. “Este ano ela participou da escolha dos modelos para a maison Kids e as peças preferidas por ela foram as que saíram mais rapidamente”, conta Maria do Carmo. (Ana Cláudia Dias)

O charme do nome
A diferença entre os Caringi e os Carinci restringe-se à grafia. Ambas, brasileira e italiana, são uma só família. A alteração no nome era comum na segunda metade do século 19 quando Nicola Caringi chegou ao Brasil. Os registros eram feitos a partir da pronúncia. “O ‘C’, em italiano, tem som de ‘G’”, explica Nicola Lima. “Ouviam Caringi e não Carinci”.
Neneca preferiu retornar às origens. Seus filhos receberam registro Carinci, mesmo nome que deu à sua Maison. Nato ou coloquial, ambos mantêm seu charme ao longo do tempo e das diferentes gerações. (DV)

Cronologia
1890 - O italiano Nicola Caringi chega ao Brasil.
1896 - Nicola Caringi funda em Pelotas a Casa Chapelaria Caringi.
1921 - Com a morte do pai, Nicola Caringi Filho assume a administração da loja.
1946 - Caringi Filho inaugura a loja de departamentos Casa Caringi Magazine.
1963 - Antes de se aposentar, transfere ao filho Roberto Caringi a administração do empreendimento.
1967 - Roberto Caringi transfere-se para Porto Alegre e a Casa Caringi deixa de funcionar.
2005 - Maria do Carmo Caringi, filha de Roberto e bisneta de Nicola Caringi, funda em Porto Alegre a Maison Carinci.

Fonte: Diário Popular/2006

2 de abr. de 2018

Álbum de Pelotas de 1922 - Padaria do Commercio

EIS UMA CASA, PODE-SE DIZER, A MAIS POPULAR NESTA CIDADE. 


Página do Álbum de Pelotas de 1922

"Gostosamente publicamos as photographias dos Srs. Manoel Pires da Fonseca e Sr. João Pires da Fonseca, assim como a frente do predio onde está installada a antiga e popular PADARIA DO COMMERCIO."

4 de jul. de 2016

ANÚNCIO GP PRINCESA DO SUL 1953

 OS PROGRAMAS DO GP PRINCESA DO SUL, ESTE AQUI O DE 1953, VENCIDO POR DANSARINO,  RAZÃO DESSA PROPAGANDA TODA, ERA O QUE SIGNIFICAVA O TURFE, NA ESFERA SOCIAL DO MUNICÍPIO DE PELOTAS, ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL E DO BRASIL NO PASSADO. ERA UMA TRADIÇÃO EM POPULARIDADE, ATÉ MESMO NO EXTERIOR, A PROVA MAGNA TURFEANA DE PELOTAS, NO MAJESTOSO HIPÓDROMO DA TABLADA DE ENTÃO. - FONTE.: - PAULO FISS - DOMINGO 03.07.2016 - 22:36